domingo, 24 de fevereiro de 2019

Vitória de Samotrácia


Foto e texto enviados por Mariana Tanure


Legenda: Artista: Desconhecido
Data: 2008
Local: Lagoa do Quiosque no Parque Municipal
Foto: Mariana Tanure

A escultura que integra o Parque Municipal Américo Renné Giannetti é uma réplica da escultura grega Vitória de Samotrácia, cujo original encontra-se no Museu do Louvre, em Paris.
A escultura original foi confeccionada em mármore entre 220 e 190 a.C. e  colocada em um navio de guerra para comemorar a vitória em uma batalha. A escultura partiu-se em 118 pedaços, sendo descoberta em 1863 pelo arqueologista Charles Champoiseau, na ilha de Samotrácia na Grécia, ela foi remontada em 1864 e desde então integra o acervo do Museu do Louvre, a cabeça nunca foi encontrada. A Vitória de Samotrácia caracteriza a deusa grega Nice ou Niké que personificava a vitória, a força e a velocidade, representada por uma mulher alada.
A doação da escultura foi feita pela empresa ArcelorMittal Brasil, em comemoração aos 110 anos do Parque, via Lei de Incentivo à Cultura, tem mais de três metros de altura, pesa uma tonelada e possui autenticação do Reúnion de Musées Nationaux, instituição francesa que coordena 33 museus franceses. A réplica da Vitória de Samotrácia foi alocada na Lagoa do Quiosque, em caráter permanente, em 2008.
O Parque Municipal, como é popularmente conhecido, localiza-se no centro de Belo Horizonte, foi inaugurado em 26 de Setembro de 1897, dois meses antes da inauguração da capital mineira. Sendo projetado em estilo romântico inglês pelo arquiteto e paisagista francês Paul Villon. Inicialmente o parque possuia mais de 500 mil metros quadrados, contudo, a partir do início do século XX perde grande parte de sua área para construções ao redor, contando hoje com pouco mais de 180 mil metros quadrados. O Parque Municipal é um local de convivência e lazer, abriga várias espécies da fauna e flora brasileira, e possui grande importância para o patrimônio histórico, cultural e arquitetônico da cidade de Belo Horizonte.
Segundo Ricardo Jorge dos Reis Silva em sua dissertação Arte Pública como recurso educativo: contributos para a abordagem pedagógica de obras de Arte Pública, a indiferença dos transeuntes com as manifestações artísticas espalhadas pelos espaços públicos demonstra a necessidade de educar artisticamente as pessoas para que elas adquiram a bagagem necessária que as permitam usufruir dessas obras (SILVA, 2007).
Tendo em vista que a arte dos espaços públicos facilita o acesso, pois traz a arte para o cotidiano dos cidadãos, poder apreciar e interagir com a escultura da Vitória de Samotrácia, para citar apenas uma entre as várias esculturas espalhadas pela cidade, produz grande benefício aos que circulam por esses locais, porque para Ricardo Reis "A Arte Pública define espaços únicos e específicos, estabelecendo relações entre o observador, a obra e o contexto." (SILVA, 2007).

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Monumento à Aleijadinho


Foto e texto enviados por Mariana Tanure

Legenda:
Artista: Sylvio de Vasconcellos
Data: 1969
Local: Gramado em frente à Reitoria da UFMG, no Campus Pampulha.
Foto: Mariana Tanure


O monumento foi instalado em 1969, em homenagem ao artista barroco Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido como Aleijadinho, tendo sido criado pelo artista belorizontino Sylvio Carvalho de Vasconcellos (1916-1979). Sylvio foi historiador, escritor, pesquisador, arquiteto, professor da Faculdade de Arquitetura da UFMG e um dos pioneiros da arquitetura modernista brasileira em Minas Gerais. Também dirigiu o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Minas Gerais (IPHAN-MG) por 30 anos.
O monumento integra o conjunto arquitetônico e paisagístico da Reitoria, juntamente com o espelho d'água, ambos tombados pelo Patrimônio Histórico e Cultural de Belo Horizonte. A escultura é composta de duas partes de cilindro de concreto entrelaçado que lembram uma coroa, também integra sua estrutura a plataforma de 25 por 45 metros, feita de pedras Itacolomi vermelhas, sobre a qual foi instalada. O monumento simboliza dois elementos: o domínio da técnica pelo homem e a aspiração, que é representada pela parte ascendente.
Aleijadinho foi um artista mineiro que nasceu em Vila Rica (Ouro Preto), estima-se que em 1730. Ele aprendeu o ofício observando o pai que também era entalhador e a pedra-sabão foi, juntamente com a madeira, o material mais utilizado em suas esculturas. Essa preferência do artista por esse material certamente influenciou Sylvio de Vasconcellos, pois o Monumento à Aleijadinho foi totalmente recoberto de pastilhas de pedra-sabão, também conhecidas como pastilhas de serpentinito.
Em 2017, em comemoração aos 90 anos da UFMG, o monumento passou pelo primeiro processo de restauração desde sua instalação, e as pastilhas tiveram que ser recolocadas, pois muitas haviam se descolado com o passar dos anos. A restauração também incluiu os reservatórios em frente à reitoria. Anteriormente, foram discutidas as formas e materiais a serem usados na restauração. Em 1977, Vasconcellos foi consultado sobre a substituição das pastilhas de pedra-sabão por outro material, diante da dificuldade de se encontrar pedras na mesma coloração, o arquiteto  chegou a sugerir mosaicos vítreos transparentes, felizmente, a equipe responsável pela restauro resolveu manter o material original, evitando assim, o que o restaurador e crítico de arte Cesare Brandi descreveu como falso artístico: "A restauração deve visar ao restabelecimento da unidade potencial da obra-de-arte, desde que isso seja possível, sem cometer um falso artístico ou um falso histórico, e sem cancelar nenhum traço da passagem da obra-de-arte no tempo” (BRANDI, 2004, p. 33).


Referências

ARAÚJO, Ana Rita. Aleijadinho agradece. Disponível em: < https://www.ufmg.br/90anos/aleijadinho-agradece/ > 

BASTOS, Chico. Escola de Arquitetura da UFMG e BDMG Cultural celebram o Centenário de Sylvio de Vasconcellos. Disponível em: <http://www.ouropreto.com.br/secao/artigo/escola-de-arquitetura-da-ufmg-e-bdmg-cultural-celebram-o-centenario-de-sylvio-de-vasconcellos> Acesso em: 26 Jul. 2018.

BRANDI, Cesare. A teoria da restauração. São Paulo: Ateliê Editorial, 2004.

https://www.ufmg.br/online/arquivos/046639.shtml

sábado, 2 de janeiro de 2016

Fonte das Três Graças



Legenda: Artista; Manoel Martins
S/D
 Local: Praça da Liberdade
Fonte: foto arquivo particular


A Fonte das Três Graças está localizada na Praça da Liberdade, que foi planejada e construída na época da fundação da capital mineira 1895/1897. Segundo Caldeira,

[...] no contexto urbano de Belo Horizonte, a Praça da Liberdade tem um significado e uma apropriação diferenciada de outros espaços públicos da cidade. Inserida no plano da cidade, para abrigar a sede do governo de Minas Gerais, esta praça não é uma praça qualquer, ela foi criada, juntamente com a cidade, sob a "aura" da modernidade, ocupando um lugar de destaque (CALDEIRA, 1998, p.1).

A ideia de abrigar a sede do governo de Minas Gerais faz da Praça da Liberdade um marco para a cidade de Belo Horizonte, pelo caráter simbólico, de valor histórico, político e sociocultural.
Emoldurada pelo Palácio do Governo e pelas primeiras secretarias do Estado de Minas, cujas construções manifestam o espírito republicano da época, ao longo dos anos a Praça acolheu diferentes estilos arquitetônicos, por exemplo: na década de 1960 e 1970, estilo moderno, com a arquitetura de Oscar Niemeyer, o qual projetou a Biblioteca Pública e o Edifício Niemeyer; e de Raphael Hardy Filho, quem assinou o projeto do Instituto da Previdência dos Servidores do Estado – IPSEMG.
Já na década de 1980, surge o estilo pós-moderno, projetado pelos arquitetos Éolo Maia e Sylvio de Podestá, cujo exemplar é a Rainha da Sucata.
De modo que a Praça contornada por esse ecletismo arquitetônico estabelece, também, um diálogo com as esculturas: de estilo clássico, a Fonte das Três Graças, do artista Manuel Martins, e a Moça Mirando o espelho D’água, de autor desconhecido; do estilo minimalista, a Liberdade, de Ricardo Carvão Levy, que foi instalado no local, em 1991, ocasião da comemoração do 94° aniversário de Belo Horizonte, e de bustos[1] de forma realista,  presentes no local, por exemplo o busto do fundador de Belo Horizonte, Crispim Jacques Bias Fortes; do estadista Senador Júlio Bueno Brandão; do romancista e poeta Bernardo Guimarães e outros dois sem identificação.
Também em 1991, fez-se na Praça uma revitalização, visando “a recuperação do simbolismo de um espaço praça que havia abrigado o footing[2]. Era a busca da praça, enquanto um território de sociabilidade voltado para o lazer, refutando a imagem da praça de mercado” (CALDEIRA, 1998, p.3).
Além desse espaço de sociabilidade, a Praça, com a implantação do Circuito Cultural da Liberdade, inaugurado em 2010, tornou-se um grande complexo cultural para a população. Tanto o Palácio como as Secretarias deram lugar a modernos museus, como: a Casa Fiat de Cultura, instalada no antigo Palácio dos Despachos; o CCBB, no prédio da antiga Secretaria de Estado de Defesa Social; o Espaço do Conhecimento, na antiga Reitoria da UEMG; o Memorial Minas Gerais Vale, instalado no antigo prédio da Secretaria de Estado da Fazenda; o Museu das Minas e do Metal – MM Gerdau, que ocupa o antigo edifício da Secretaria de Estado da Fazenda, e o Palácio da Liberdade, prédio central do conjunto arquitetônico da Praça, sede histórica do Governo de Minas Gerais e antiga residência oficial, agora aberto à visitação.
Com isso, o sentido funcional da praça, que ao longo do tempo sofreu transformações. Segundo Caldeira (1998), várias praças surgiram no mesmo espaço, numa espécie de sobreposição de arquétipos, como: a praça do poder, do encontro, do footing, das manifestações políticas, das feiras e que, de certa forma, foi se legitimando como símbolo urbano.
E se encontra nessa praça, a escultura denominada Fonte das Três Graças, que é considerada o cartão postal da Cidade.

         Com graça e leveza, características próprias do estilo neclássico[3], a escultura Fonte das Três Graças, medindo 3 metros de altura, “compõe-se de três estátuas femininas, dançando de mãos dadas, à semelhança das mitológicas graças[4]; embaixo, duas sereias em cima de duas cabeças de carneiro, colocadas na extremidade da bacia”, Teixeira; Oliveira (2006, p.66).
         A escultura é formada por duas grandes subunidades, isto é, dois grandes grupos representativos de uma única obra, e por outras, em menor proporção. A interpretação visual da forma requer um tempo maior para a apreensão, devido à complexidade de elementos presentes na sua estrutura formal. Gomes (2000, p. 79) esclarece que “a complexidade implica, quase sempre, numa complicação visual, devido à presença de numerosas unidades formais na organização do objeto, tanto das partes como do todo em si”, isto é, exige um olhar mais atento para a apreensão e compreensão da escultura.



[1] Busto no campo das artes é a representação dessa parte do corpo muito utilizado por escultores.
[2] Footing significa passeio a pé para para espairecer, passear ou caminhar sem compromisso. 
[3] Neoclássico é um movimento europeu do século XVIII e parte do XIX .Caracterizou-se pela retomada da arte antiga, especialmente greco-romana, considerada modelo de equilíbrio, clareza e proporção.
[4] Graças, nome latino das Cárites Gregas, eram deusas da fertilidade, do encantamento, da beleza e da amizade. As Graças representadas na fonte são: Tália, Eufrósina e Aglaia.